terça-feira, 22 de abril de 2014

.

A cada dia que passa, sinto como se a vida estivesse contra mim. Um inimigo mortal, inseparável e injusto, que sorri com os dias tristes que ponho, um a um, em uma conta que só conhece a soma das agruras. Na verdade sempre foi assim. A felicidade, observada à distância, faz parte da vida dos outros, jamais da minha. Procuro ser justo, faço tudo o que posso para que minha existência não mereça abandono ou castigo, mas continuo acumulando penalidades, pagas à exaustão, ora pela incompreensão alheia, ora pela injustiça dos comportamentos que a mim incluem sem me dizer respeito.

Se me resta lucidez para lidar com tudo o que me cerca, é porque faço uma força inacreditável para manter a sobriedade quando a maioria das pessoas perderia a cabeça. Dessa forma, meu equilíbrio não vem do medo da queda, do desespero frente ao colapso, mas da honestidade que preservo acima das falsidades e medos alheios. Pensem o que quiserem; a mim, basta que conheça a mim mesmo.

Não deposito em ninguém a esperança de ter dias felizes. Tampouco os espero. Isso não quer dizer que não os queira, como todos aqueles que desejam um sorriso sincero, alheio às cobranças e grades que nos cercam, pelos 4 cantos de nossa existência. Busco, em cada um que permito adentrar meu pequeno e complexo mundo, o melhor possível. Frio, analiso cada aspecto, palavra, comportamento. E não deixo, de forma alguma, que me imponham penalidades por seus erros. Pago apenas pelos meus, todas as horas de todos os dias.

Ser eu mesmo já uma espécie de castigo.

.