segunda-feira, 29 de julho de 2013

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Há dias em que a respiração, cansada, parece parar. Lento perante a manhã de um dia imenso, penso qual é a relevância que existe em estar aqui. De um extremo ao outro sinto meus olhos percorrem o espaço em lapsos de tempo. Fragmentos. Ao recomeço do ciclo, contabilizo os cacos. Preciso de uma força não humana para ir em frente, por o sorriso nos lábios, o brilho nos olhos e caminhar. Mas vejo o fim da caminhada cada vez tão mais distante... minha vida se afasta da felicidade tanto mais quanto mais feliz quero ser. Há noites em que só queria deitar e sonhar, mas a angústia, maior do que a necessidade de dormir, acomoda-se para me manter desperto. Decerto será, em meus últimos instantes, a única companhia. Se soubesse orar, pediria que aqueles que amo respirassem felicidade e que meus dias fossem breves, tal e qual são breves as estações do ano.

Nem bem era outono e novamente vejo as folhas que morrem sob a força inexorável do tempo. Esse mesmo tempo que, a cada dia, me deixa mais próximo do tempo em que viver não será mais necessário.

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