domingo, 12 de maio de 2013

Eu não devia estar ali, e é o muito que tenho a dizer. A pessoa errada, no lugar errado, na hora errada. Sempre assim. Quem sabe um dia eu me acostume. Um bom amigo diz que sou uma daquelas coisas ruins que acontecem para pessoas boas. Talvez ele esteja não apenas certo, mas coberto de razão. Parado, garrafa vazia na mão, olhar distante. Música alta, sono, cansaço. Eu não devia estar ali, nem perto. Passou por mim, casaquinho com corações vermelhos, olhos desenhados e sorriso diferente. Eu não devia estar ali para notar. Mas notei. E de repente não me importei de estar num lugar do qual não gosto, ouvindo músicas para mim detestáveis, assim como a maioria das pessoas naquele lugar onde eu não deveria estar. Depois de alguns minutos, me perguntava o que havia de errado com aquela pessoa incrível — porque procuro o pior nas pessoas para ter razão para me afastar delas e deixá-las para trás — só que não encontrei. Já era tarde. Deixei-a em casa, sensação estranha. Vazio. Tive vontade de voltar, mas não voltei. Depois tive vontade de convidá-la para um café, mas não o fiz. Lembrei de que sou aquela coisa ruim que acontece para pessoas boas. Desde aquele dia não sorri. O vazio permanece. Espero que ela esteja feliz.