segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

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Luzes no final do corredor vazio. Com cuidado, vou em sua direção. A luz que vejo pode ser vista somente pela moldura da porta trancada, e já não conheço o lado de lá. Quanto mais me aproximo, mais fraca ela fica, como se minha busca escurecesse o mundo. O meu mundo. Sei que não pertenço ao mundo dos outros, onde brilha a luz que não alcanço e que de mim apenas se afasta. Vez ou outra há, subitamente, um clarão intenso. Acordo de um pesadelo e já não consigo saber se dormia ou não. Lá fora alguém sorri. Parece que há vida atrás da porta, mas não aqui. No lugar em que estou não há nem vida, nem sorrisos. Somente a busca que jamais termina, dentro do corredor que só faz aumentar a distância entre mim e a luz. A luz que eu não tenho, a luz que para mim não brilha.

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