segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

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Duas horas, três, quatro. Horas que passam lentas, enquanto anoto à caneta verde sobre papel pólem 90g algumas frases com as quais sonhei. Sonhei? Nariz sangrando, dores. Dores fortes. Levanto, limpo o rosto, deito novamente. Luz acesa. 14 novos livros empilhados. Três são lidos quase que ao mesmo tempo. Um capítulo de cada, alternadamente. Design (de uma forma geral), Arte e Antroposociologia. Coca Cola (na garafa PET, quase congelada), água na garrafa azul de alumínio. Na velha garrafa azul de alumínio. A nova garrafa azul de alumínio, quase intocada, repousa na caixa lacrada dentro do armário fechado à chave que eu não tenho, acompanhada de alguns livros, brinquedos, cartas, poesias, casacos.

A garrafa azul - a velha - traz boas lembranças. Lembro-me, por exemplo, da mochila pesada, suor no rosto, cansaço. A vida cotidiana, plena de estranhas situações, dando lugar à necessidades básicas, instintivas. A pequena velha garrafa azul de alumínio, talvez já nem tão azul em sua pintura brilhante desgastada, aberta calculadamente de tempos em tempos; Racionalidade, por vezes, suplantando a necessidade, a sede.

Hoje, e não de forma calculada, mas aleatoriamente, abro as duas garrafas. Não aleatoriamente abro os livros, um de cada vez, um capítulo de cada vez. Design (de uma forma geral), Arte e Antroposociologia. E a sequencia mudará apenas quando um dos livros terminar e der lugar a um outro livro, também novo. Ainda não sei qual dos três livros terminará antes dos demais. Não conto as páginas. Não me importa saber o futuro. Não me importa sequer saber sobre o próximo segundo, mesmo porque o próximo segundo já é, sobremaneira, uma forma de paradoxo. Um futuro que imediatamente torna-se passado.


Calmamente levanto. Camiseta branca e calça xadrez (vermelha). Frio. Pés no chão, sentindo o piso gelado. Água gelada no rosto quente. Mãos frias, a mesma dor. Os mesmos livros. Novos pesadelos.

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