terça-feira, 13 de novembro de 2012

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Já não há céu, nem chão. As horas, incontáveis, tortura em dias intermináveis, a lembrança sinistra do nada mais adiante. Viver sem haver depois, como se cada segundo fosse não o último, mas que sequer devesse ter existido. Já não há cores, nem tons. Já não há música, nem silêncio. Só o grito preso, sufocado, suprimido, engolido a seco. Já não há ter, nem ser. E nem vontade, nem desejo, nem ódio ou desprezo. Nem há rancor. Apenas uma vida que se arrasta, um banho de chuva fria, de noite morna. A repetição de dias inteiros, curtos demais, longos demais, quentes demais. Iguais demais. Todos os dias.

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