sexta-feira, 1 de julho de 2011

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Há um vento gelado que entra por debaixo da porta trancada. Imóvel, apenas sinto o frio que aos poucos enregela o corpo. Desgastado, cansado, cabeça sepultada entre o travesseiro e o escuro. Os olhos — aos poucos — identificam os contornos de quatro paredes de concreto estéril. Quatro linhas desvendadas ainda que sob a total ausência da luz. E na imensidão do silêncio ouço, finalmente, um coração bater. Respiro lentamente...

Estou vivo.

Momentos passam, e um tempo raso vem deixar um rastro de dor em alguém já tanto massacrado por todos os erros. Sozinho, luto para acertar cada passo. Em meus pensamentos, tento segurar suas mãos e colocar o amor que tenho em tudo o que faço. Só que a recusa, o silêncio e a escuridão negam o brilho dos olhos, também a certeza de um outro dia. As mãos do castigo açoitam e retalham a alma. Fecho os olhos.

E se mantenho-me vivo, é por pura esperança de que você sorria.

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