segunda-feira, 6 de junho de 2011

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Madrugada gelada. Entregue à busca das razões da minha angústia, esqueci das horas. Era como se minhas mãos geladas tocassem o vazio e o vazio fosse, naqueles instantes que tornaram-se cansativos e intermináveis, meu ouvinte. E eu já não ouvia mais o silêncio que vinha da rua, a música praticamente abaixo do volume mínimo para não acordar o pesado sono dos outros, já não olhava para as luzes amarelas e brancas da área de serviço. Talvez já olhasse para algo que meus olhos, incapazes de absorver a imagem, simplesmente não vissem. São esses momentos, em que tudo transforma-se em escuridão e nada, que viver simplesmente perde sentido e que imploro para dormir. Se minha hora for agora, peço apenas para partir em um sonho, esse sonho com todas as cores, sorrisos e vidas que construí. Faço tudo o que posso para receber os novos dias com esperança de ter aquilo que construo em meus sonhos, os sonhos que não são apenas meus, mas não de todos, porque nem todos podem ou conseguem sonhar com o que sonho. E já quase posso tocar os pequenos dedos de um menino muito parecido comigo, um menino com os cabelos despenteados e uma curiosidade imensa... já quase posso segurar as mãos de uma menina linda, olhos grandes e cabelos negros muito lisos, que me convida a brincar em lugar no qual jamais estive...

muito, muito longe daqui.

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