sexta-feira, 20 de maio de 2011

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Eu já conheço a vida de outras lidas,
de tantas outras histórias,
dias, noites, memórias
também conheço a vida de outras vidas.

Mas não conheço a paz dos outros tempos...
não mais brisas, hoje os ventos mais ferozes,
corredeiras entre mares a transportar
aqui, ali, a qualquer lugar
minhas angústias, minhas dúvidas, minhas vozes

E enquanto o mar de novo traz
a tristeza que mandei partir
sem saudade, ódio, revolta
olho em mim, vejo em volta
envolvo-me de novo com o escuro
equilibro-me inconstante obre o muro
se eu cair
Deus
ajuda-me a levantar?

Ou
se não for pedir demais
os ventos, mares, montes
cidades, cercanias, horizontes
por favor, feche meus olhos
se não posso mais querê-los
eu peço para hoje me levar
onde não há dor que viva entre céu e mar
e que nos sonhos
meus filhos
quem sabe eu possa vê-los
antes que o novo dia nasça
para tirar o brilho dos meus olhos
para pintar de branco meus cabelos

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